Ilustrações de: Cristiano Ludgerio
Enquanto Rômula contemplava e constatava essas características de Fernanda, sentiu a umidade costumeira que vinha entre as pernas sempre que fazia isso. Deixara de copiar os textos de que precisava e não ouvia o professor. Fernanda era tão bonita, tão atraente, tão convidativa....Não conseguia pensar em mais nada além dela.
Rômula e Fernanda eram melhores amigas desde o último ano do Ensino Fundamental, e foi nessa época que Rômula descobriu-se apaixonada por Fernanda. Desde que começaram a cursar o Primeiro ano do Normal, Rômula tem ficado cada vez mais apaixonada, e mais ansiosa. Admitira que seu amor por Fernanda ia além da amizade há um bom tempo, sem resistências morais íntimas; não havia nada de errado em amar e desejar Fernanda, ela pensou, pois algo tão verdadeiro e forte não é imoral. E nem anormal. Não tinha medo do que os outros poderiam pensar. Mas tinha do que Fernanda poderia. Ela não desconfiava de nada, e Rômula ficou guardando segredo por muito tempo. Tinha medo de revelar seus sentimentos para a amiga. Contudo, queria, precisava fazê-lo.
-Rômula, você está me ouvindo?
O professor olhava o rosto de Rômula moldado pelos cabelos ruivos repleto de sardas com um ar de indignação e aborrecimento. Rômula, percebendo o silêncio na sala, prestou-lhe atenção.
-Você não respondeu a chamada, Rômula. Já sabe em que grupo você vai ficar?
Grupo? Do que ele estava falando? Não dera a mínima atenção ou importância às explanações do professor durante aquela aula toda.
-Ela vai ficar no meu grupo, professor – interveio Fernanda com um tom muito respeitoso.
-Muito bem – disse o professor instantânea e repentinamente meigo, descontraindo o rosto e olhando Fernanda com satisfação através dos óculos – então o seu grupo está completo com quatro componentes, como todos os outros.
O Professor Daniel se levantou, passou a mão pelos cabelos escuros e bem penteados, limpou vestígios de giz da camisa de flanela e da calça jeans que cobriam o corpo robusto e jovem e deu as últimas instruções sobre o trabalho (um seminário para grupos da classe em que cada um teria um tema).
Foi um alívio para Rômula quando o sinal bateu.
Quando estava perto do portão da escola com Fernanda, a amiga disse que precisava conversar com o professor Daniel, e foi até ele, pedindo que Rômula a esperasse.
-Eu pedi mais tempo pro seminário que ele passou – informou Fernanda, voltando, dez minutos depois, contente – amanhã a Turma vai ficar aliviada.
-Amanhã é sábado – alertou-a Rômula.
-Ah, é. Na segunda, então.

As duas saíram da escola e foram para um ponto de ônibus repleto de outros estudantes, alguns deles colegas de classe. Conversaram um pouco com outras duas meninas pouco conhecidas, porém, muito gentis, que fariam o trabalho em grupo, passado naquele dia, com elas, mas se despediram ao pegar o primeiro ônibus que apareceu e que tinha um destino diferente do das colegas.
O veículo estava super lotado, o que fez as garotas ficarem com os corpos muito próximos, quase se espremendo, para dividir o espaço ínfimo que ocuparam. Suas pernas e braços ficaram colados, a pele de ambas roçando-se.
Um pequeno jato líquido foi expelido da região do baixo ventre de Rômula. A maior parte foi drenada pela calcinha, e a menor e restante a atravessou, transformada em duas pequenas gotas que escorreram pelas coxas indo até os joelhos rapidamente com o auxílio da gravidade para serem absorvidas por completo pelo tecido das meias. Teve vontade de se masturbar ali mesmo, mas não se atreveu a fazer isso.
O êxtase ainda era forte quando o ônibus estava chegando ao ponto em que desceriam. Teve que cruzar e esfregar as pernas uma na outra para limpar os sinais de escorrimento.
Ninguém do ônibus percebeu que Rômula tivera um orgasmo.
-Meu irmão vai dar uma festa hoje à noite – disse Fernanda a Rômula na segunda-feira, na biblioteca da escola, durante o intervalo das aulas, sentadas a uma mesa nos fundos sem pessoas muito por perto – você quer ir?
-Vai ser na sua casa? – Perguntou Rômula, já sabendo que a resposta seria afirmativa.
-Vai – confirmou Fernanda – e vai ter de tudo. Será a fantasia, sabe.... Então, eu pensei se você e eu não poderíamos ir uniformizadas. Nós seríamos as únicas normalistas lá. Haverá rapazes bonitos e solteiros.
Rômula fez uma careta quando ouviu a última parte, e Fernanda pensou que fosse apenas orgulho.
-Ah, deixa disso, você tem que arranjar um namorado, Rômula! Olha, no momento, o meu irmão está solteiro, mas eu sei que ele não faz o seu tipo e que você só gosta dele como amigo....
-.... Oi, Fernanda!
A voz era de um garoto que Rômula nunca havia visto. Ele era pouco mais alto do que elas, parecia ter a mesma idade delas (quinze anos), tinha cabelos castanhos claros e escorridos, um par de óculos e possuía, sob os complicados padrões estéticos de muitas garotas, um rosto bonito com uma quantidade pequena e tolerável de espinhas.
-Artur! – Exclamou Fernanda – Que surpresa! Eu pensei que você só viria amanhã!
-Houve uma mudança de planos – explicou o garoto.
-Você vai à festa do meu irmão?
-Claro! Seu irmão já me convidou e eu não perderia por nada!
-É perfeito.
-Perfeito? – Perguntou Artur.
Rômula não estava gostando daquilo. Sabia o que a amiga estava pensando e deixou escapar um muxoxo de irritação, o que fez Artur olhá-la mais atentamente pela primeira vez.
Fernanda encarou Rômula com um riso. Em seguida, fitou Artur e disse:
-Artur, essa é Rômula, minha melhor amiga. Rômula, esse é o Artur. Ele veio do Sul e vai voltar a morar aqui no Rio. Meu irmão, ele e eu somos grandes amigos. Desculpe-me não ter apresentado você a ela antes, Artur. Ela não tem ninguém para ir à festa – acrescentou, radiante.
-Mas você acabou de me c....
Fernanda a chutou por debaixo da mesa antes que ela concluísse a frase.
Artur, que não fizera questão de sequer apertar a mão de Rômula e se reduziu a um aceno esquisito de cabeça, não pareceu feliz com a notícia.
Percebendo que o garoto não dizia nada, Fernanda falou:
-Por que vocês não vão juntos?
Por uma fração de segundo, Rômula teve vontade de responder com toda a sinceridade para ela o porquê, mas não o fez. Esperara por muito tempo; não custaria esperar um pouco mais. Precisava do momento certo para se declarar para Fernanda, e a festa seria esse momento. Entretanto, tinha que dizer alguma coisa, ou teria de ir à festa com aquele sujeito indesejável. Ela pensou depressa e disse:
-Mas e você, Fernanda, vai com quem?
-Ah.... Eu? Bem....O dono da festa é o meu irmão, mas a festa vai ser na minha casa, isso é, na casa dos nossos pais e, por isso, eu não preciso ir com ninguém. Eu tenho opção de ficar na festa sozinha.
-Ah, bem, nesse caso – começou Artur, aproveitando a oportunidade obtida à luz daquela nova informação, corando um pouco – por que você – e ficou ainda mais vermelho - não vai comigo? Você se importa, Rômula?
Claro, pensou Rômula, ele pretendia convidá-la desde o início! Como não percebera isso antes? Mas não deixaria o filho da puta conseguir o que queria.
-Fernanda já disse que vai ficar sozinha na festa – respondeu Rômula, sem fazer o menor esforço para disfarçar o azedume do tom de voz.
Artur ficou impassível.
- Mas ela havia me convidado antes de você chegar – continuou Rômula. –Afinal, Fernanda, você vai ficar sozinha na festa ou não? E por que os convidados precisam ir acompanhados?
Antes que a garota pudesse responder, Artur falou:
- Não é que eles precisem – explicou ele – acontece que, o Renato, o dono da festa, quer que haja o maior número de pessoas possível. Pra isso acontecer, ele aconselhou cada pessoa a convidar outra (ou várias outras, pra irem como um grupo) e a usar, se cada uma puder, uma fantasia que combine com a do acompanhante. Se o convidado, dupla ou grupo não tiver fantasias, basta cada um usar uma roupa que considere legal.
A explicação dele fazia sentido. Por isso Fernanda a convidara pedindo para irem de uniforme.
-Que tal irmos todos juntos? – Propôs Fernanda.
Artur e Rômula pareceram não gostar muito da idéia, mas aceitaram.
-O que você tem na cabeça? – Perguntou Fernanda assim que Artur saiu da biblioteca. O garoto chegara a se sentar e conversar sobre outras coisas depois de concordar em ir à festa com elas formando um trio de normalistas – você poderia ir com ele sem mim.
-Eu sei – admitiu Rômula – mas eu não quis! E ele também não queria, pois convidou você. Aliás, você disse que ele, seu irmão e você são amigos. Desde quando?
-Ele e eu namoramos quando estávamos na sétima série – explicou Fernanda - você e eu nos conhecemos na oitava série, quando ele já havia ido pro Sul, por isso você não o conhecia.
Rômula odiou saber que ela namorara Artur, mas não tanto quanto passou a odiar o próprio garoto.
-Ah, tá – disse Rômula - por isso você falou que ele vai voltar a morar aqui no Rio.
As duas tiveram aulas agradáveis naquele dia. A única coisa que incomodara Rômula era Artur perto de Fernanda. Ele agora era colega de classe delas, como um aluno transferido.
Na hora da saída, Rômula ainda foi obrigada a suportar a companhia de Artur até a esquina da rua de Fernanda.
-Seus pais deixaram o seu irmão dar uma festa? – Perguntou Rômula.
-Claro que não – respondeu a amiga – eles viajaram e só vão voltar daqui a três meses. Não é ótimo?
-É – concordou Rômula sem muito entusiasmo, mas com honestidade. Queria muito ir à festa. Faria dela inesquecível.
Fernanda, lembrando de uma coisa, perguntou:
-Sua mãe vai te deixar ir à festa, Rômula?
Os pais de Rômula eram divorciados. A garota morava com a mãe num apartamento próprio que ficava no mesmo bairro de Fernanda, a poucos quarteirões de distância da casa da amiga.
-Acho que vai – respondeu Rômula - Ela nunca me proibiu de ir a festas.
Os três tomaram rumos diferentes. Cada um foi para a própria casa combinando se encontrarem na festa, usando o uniforme da escola.
O som estava muito alto quando Rômula chegou à festa.
A quantidade de bebida era muito grande. A casa de Fernanda, estilo americano, era muito espaçosa, e tinha um quintal enorme.
Na primeira metade da festa, Rômula se divertiu bastante com recém conhecidos através de conversas e danças. Mas na segunda metade, estava entediada.
E excitada. Queria ficar em particular com Fernanda.
Nesse momento, estava em uma roda composta por Fernanda, Artur, Renato e um casal de lésbicas fantasiadas de Bateram e Robin que conversava com o dono da festa, um universitário vestido de Wolverine que era alto e parecia fazer muitos exercícios devido ao físico avantajado e tinha os mesmos olhos da irmã. Era habituado a se envolver com garotas bem mais jovens. Rômula estava muito satisfeita por não ser uma delas, apesar das inúmeras tentativas dele. Havia muito tempo que ele insinuara querer algo além de amizade com Rômula, mas ela nunca deixou e, se dependesse dela, assim sempre seria.
Fernanda pediu licença e foi até o outro lado do quintal para pegar uma lata de refrigerante de uma caixa de isopor que fora colocada a disposição dos convidados na festa e que era ignorada devido à grande quantidade e enorme preferência por bebida alcoólica dos convidados.
Era a oportunidade pela qual esperava.
Poderiam ficar sozinhas, longe das investidas de Renato e Artur.
Com toda coragem que conseguiu reunir, Rômula foi até Fernanda e disse:
-Podemos ir ao banheiro do seu quarto? É que eu não quero usar o daqui do quintal.
Ela lançou um olhar reprovador e ao mesmo tempo triste aos banheiros, feminino e masculino, próximos a lotada piscina.
-Claro – respondeu Fernanda, com uma lata de refrigerante em uma das mãos, tampando a caixa de isopor cheia de água e de cubos de gelo que derretiam – vamos.
As duas cruzaram o quintal passando por muitos convidados e chegaram à porta da cozinha, o que fez se depararem com uma garota fantasiada de Chiquinha aos beijos com um rapaz fantasiado de Chaves. Fernanda terminou de beber a lata (ela estava com muita sede) e a jogou em uma lixeira ali próxima.
Havia rapazes beijando rapazes e garotas beijando garotas na cozinha escura. A princípio, Rômula ficou um pouco chocada, mas depois, percebeu que não devia; ela era igual a eles. Ali existia uma atmosfera libidinosa; uma atmosfera que Rômula pretendia recriar a sós com Fernanda, longe da pia sem louça, longe dos casais que quebravam a sensação de privacidade.
Ao saírem da cozinha, entraram na sala de estar, que fora transformada em uma verdadeira discoteca, e subiram a escada que levava aos quartos e entraram no de Fernanda, que tinha um guarda-roupa, uma escrivaninha com um computador e uma cama com lençóis e cobertores com as mesmas cores neutras do resto do quarto de paredes brancas.
De dentro dele, era possível escutar gemidos dos outros quartos. Pareciam ser de casais heterossexuais ou de grupos de orgia que, assim como Rômula, não queriam usar a cozinha super ocupada.
-Será que.... Eu posso tomar um banho? – Perguntou Rômula.
-Pode, claro – respondeu Fernanda.
-Por que você não toma um também?
-Hum.... Certo, depois de você.
Rômula se aproximou um pouco mais.
-Eu acho que vou precisar lavar a calcinha, mas eu não tenho outra pra usar.
-Eu tenho um secador – informou Fernanda – você pode lavar a calcinha no banheiro e secá-la depois. Assim, você vai poder voltar a usá-la após o banho.
Rômula chegou ainda mais perto de Fernanda, deixando seu rosto muito próximo do dela e, puxando a mão da amiga para as próprias partes íntimas, sussurrou:
-Olha só como a minha calcinha tá molhada. Ela precisa ser lavada.
Fernanda tentou dizer alguma coisa, mas Rômula beliscou o bico do seio dela e acariciou o seu clitóris coberto pela calcinha; o tecido entrou em atrito com a pele, fazendo Fernanda gemer.
Antes que ela pudesse tentar se afastar, Rômula colou os seus lábios nos de Fernanda e pôs a língua dentro da boca dela, causando arrepios na pele. Elas ainda se tocavam nos sexos uma da outra, mas, ao contrário de Fernanda, Rômula massageava o clitóris da amiga.
Três segundos depois, Fernanda se desvencilhou de Rômula. Ainda com o sabor do beijo na boca, perguntou:
-O que você está fazendo?
-Eu te amo, Fernanda. Eu te quero. Eu posso fazer você se sentir bem. Eu queria te falar isso há tanto tempo...
Fernanda olhou de soslaio para a porta. Tentou ir até ela, mas Rômula a puxou de volta e a beijou de novo, segurando-a com muita força. Levou a mão ao sexo dela ainda sob a calcinha, novamente, e o acariciou com mais velocidade.
As primeiras secreções não tardaram a vir. Rômula segurou um dos seios dela, depois o outro, e apalpou-os, apertou-os, deixando-os intumescidos.
Todas as defesas de Fernanda estavam derrubadas.
-P-por favor, R-Rômula....P-pare.
Rômula não obedeceu.
-Sua boca diz “Não”, mas o resto do seu corpo diz “Sim”.
-E-eu q-quero q-que v-você p-pare!
-Se você disser isso de novo, eu vou parar – afirmou Rômula – você quer mesmo que eu pare?
E, dizendo isso, introduziu o dedo indicador na vagina de Fernanda. Não houve resposta, apenas um novo gemido. Rômula sentou-se numa cadeira próxima com Fernanda em seu colo.
Em seguida, levantou-se
Elas estavam em pé. Sem violência, mas com força, Rômula jogou Fernanda na cama. Ajoelhando-se no colchão, retirou a camisa dela por completo. Depois, tirou os sapatos e as meias, deixando a saia e a roupa íntima, e percorreu o corpo dela com a língua, detendo-se principalmente no sexo, o qual lambia e chupava, vestido pela incômoda calcinha branca, bebendo, experimentando, cheirando, saboreando, deleitando-se com os sucos frescos de Fernanda.
Era incrível a quantidade de secreções quase tanto quanto era maravilhoso o cheiro delas, do sexo e de todo o resto do corpo de Fernanda. Quanto tempo esperara por aquilo? Por quanto tempo desejara aquilo sem nunca ter? Por quanto tempo se masturbara e salivara sonhando com o sabor e com o cheiro de Fernanda?
Rômula se livrou da saia e da calcinha encharcada dela, e tornou a lambê-la; primeiro a bocetinha dilatada e úmida; depois a barriga e os seios; em seguida os pés e as pernas e, por fim, o sexo de novo.
-E então, você ainda quer que eu pare? – perguntou Rômula.
Fernanda foi totalmente sincera quando respondeu:
-Não. Por favor, não pare.
Estava feito. Fernanda era sua. Completamente.
Introduziu alguns dedos na vagina dela e a fez gozar, beijando-a, deixando-a experimentar o sabor dos próprios sucos, pois a boca de Rômula estava repleta deles.
Rômula despiu-se por completo. Tornou a colocar os dedos na vagina de Fernanda. Depois, os pôs no ânus, para, em seguida, botar nos dois lugares simultaneamente, masturbando-a e levando-a a novos orgasmos.
Rômula manobrou o corpo de Fernanda, fazendo-a ficar de quatro com a cabeça virada para o sentido oposto, permitindo Rômula ficar por baixo dela com a cabeça sob o sexo e o seu próprio sob a cabeça de Fernanda, deixando ambas se lamber e se chuparem vorazmente nas partes íntimas.
Em menos de dois minutos, gozaram, soltando gritos quase ensurdecedores.
Ofegantes, ficaram de joelhos, abraçaram-se e se beijaram em todas as partes do corpo. Os seios de uma entraram em delicioso atrito com os da outra, a barriga e as coxas também, e os sexos foram friccionados um contra o outro, até explodirem em novos múltiplos orgasmos.
Repetiram isso várias vezes, até não agüentarem mais.
Permaneceram, nuas, na cama, sem conseguirem saber se estavam cansadas ou revigoradas. Contudo, estavam felizes, muito felizes; eram amigas, e sempre seriam.
